quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Entrevista com Jorge Luiz Barcellos

Destaque da Semana: Jorge Luiz Barcellos

Jorge Luiz Barcellos começou como auxiliar técnico de Luiz Antônio na seleção feminina em 2005. Depois, ele foi técnico da Seleção sub-20, que ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo da Rússia em agosto do ano passado. Em setembro de 2006, assumiu a seleção principal. Ele já foi ouro no Pan do Rio de Janeiro e vice-campeão do Sul-americano.

Entrevista com Jorge Luiz Barcellos, técnico da Seleção Feminina de Futebol.

Complica muito o trabalho do treinador enfrentar adversários muito pouco conhecidos?
Jorge Barcellos: Sim, muito. É um complicador do futebol feminino. Os jogos das grandes seleções não passam na TV como acontece entre os homens. Temos poucas informações das outras seleções. Precisamos pegar informações com amigos de outras comissões técnicas e com as próprias jogadoras. A Nova Zelândia por exemplo, eu não sei como joga. Vamos precisar de uns dez minutos para ver como elas se comportam em campo. Já a China, não vi nenhum jogo recente delas. Mas conheço as jogadoras, o que ajuda. O maior problema é a estréia mesmo. Depois você tem, pelo menos, a fita dos jogos das seleções na própria Copa do Mundo.

Já que os jogos não passam na TV, você não viaja para assistir a amistosos ou competições das principais adversárias do Brasil?
JB: No futebol feminino a gente não viaja para acompanhar os jogos. No futuro talvez isso mude.

"Com as meninas você precisa ser muito mais psicólogo, tem que estar mais próximo. A mulher sente mais. E ainda tem a TPM... ”

A torcida brasileira está com uma expectativa muito grande em cima da seleção por causa da campanha no Pan-Americano. O que se pode esperar desta equipe na Copa do Mundo?
JB:
O Pan não serve muito como referência para uma Copa do Mundo. Fizemos uma ótima campanha no Pan, foi algo muito importante para a gente pela repercussão que deu para o futebol feminino. Mas um Mundial é muito diferente. As jogadoras estão mais bem preparadas, as seleções são mais tradicionais. Por isso, o Pan não é um parâmetro. A China, por exemplo, se prepara há anos para esta Copa do Mundo em casa. Os Estados Unidos mandaram uma equipe universitária para o Pan para treinar o time principal.

Mas a medalha de ouro no Pan, da forma como foi conquistada, deu mais confiança para a seleção, não?
JB:
A seleção tornou o Pan uma competição fácil. Para isso foi fundamental ter atitude nos jogos. O grupo queria a medalha e estava muito unido. É um exemplo importante que trazemos para a Copa do Mundo. Além disso, o Canadá estava com a equipe principal. A mesma que disputa o Mundial (O Brasil venceu por 7 a 0, com cinco gols de Marta). Mas, apesar do placar, foi um jogo difícil. A partida estava equilibrada, elas colocaram uma bola na trave do Brasil quando estava 0 a 0. O placar elástico só veio no segundo tempo, quando elas começaram a marcar por linha. E jogar assim contra a Marta é mortal.

A seleção brasileira tem um time muito experiente. É a equipe que mais tem jogadoras que disputaram o último mundial (15 no total). Isso ajuda?
JB: Elas se conhecem há bastante tempo. Isso é bom. São amigas, sabem o posicionamento em campo. E em uma Copa do Mundo ajuda muito ter essa experiência. Participar de partidas nervosas assim e jogar em estádios cheios faz a camisa ficar mais pesada. A experiência diminui este impacto.

"A Marta é uma jogadora sensacional. É uma pessoa ótima também. E de grupo. Não age como estrela. No campo, ela também assume a responsabilidade. Será importante para ajudar a desenvolver o futebol feminino no Brasil. O esporte precisa de ídolos, e ela está se tornando um."

Qual é a principal diferença de treinar uma equipe masculina para uma feminina?
JB: Na feminina, você precisa trabalhar muito a formação da atleta. Mesmo na seleção. No masculino, o jogador chega mais formado, dominando todos os fundamentos. As meninas, não. As formas de trabalho são as mesmas. O que muda é a intensidade. Além disso, com as meninas você precisa ser muito mais psicólogo, tem que estar mais próximo. A mulher sente mais. E ainda tem a TPM (tensão pré-menstrual)... (risos)

A renovação no futebol feminino é mais complicada também, certo?
JB:
Nem fala. Se uma jogadora se machuca antes de uma competição importante como uma Copa do Mundo eu nem sei o que faço. É mais difícil encontrar outra para substituir. O leque de opções é pequeno. Há poucos clubes no Brasil. Se surgisse um campeonato organizado no Brasil, esta situação melhoraria.

Como é lidar com a Marta? A responsabilidade em cima dela é muito grande, e ela tem apenas 23 anos.
JB: A Marta é uma jogadora sensacional. É uma pessoa ótima também. E de grupo. Não age como estrela. No campo, ela também assume a responsabilidade. Será importante para ajudar a desenvolver o futebol feminino no Brasil. O esporte precisa de ídolos, e ela está se tornando um. As pessoas estão começando a descobrir o futebol feminino. E vendo que ele pode ser alegre, competitivo, pode ser bonito. É como o futebol masculino de antigamente. A Marta é diferenciada e imprescindível para qualquer time e seleção do mundo. Ela é um fenômeno.

Qual foi a sensação da vitória no Pan do Rio? E O que poderia ser feito para melhorar as condições do futebel feminino no Brasil?

JB: A sensação foi maravilhosa, fiquei muito emocionado com o apoio do povo e com certeza será algo que nunca esquecerei em minha vida. Entretanto, vários fatores podem melhorar como a necessidade de o Brasil realizar um campeonato profissional de futebol feminino, que não ocorre desde 2001, o que obriga suas melhores jogadoras a irem buscar equipes para jogar no exterior.

Fonte: Globo Esporte (22/10/2007)

Tem Estrela

Tem estrela.

Não torço pro Flamengo, mas tenho que admitir que o Joel é um técnico de estrela. Tirar o rubro-negro da zona da degola – algo que parecia impossível – e conseguir uma vaga na Libertadores 2008, não é pra qualquer um.

Mas vamos ao que interessa. Depois da vitória sobre o Atlético Paranaense no jogo que garantiu a vaga na Libertadores, Joel concedeu uma entrevista um tanto quanto curiosa ao canal SporTV. Repare na desconfiança de Santo Joel com a noticia de que o Cruzeiro havia perdido o jogo.

Técnico completa 21 anos no mesmo time

Impressionante, não? Pois é, e infelizmente não é no Brasil. Mas não é por isso que Alex Ferguson não será destaque no Fala Técnico!
Há 21 anos no comando do poderoso Manchester United, Ferguson conquistou 19 títulos, entre eles o Mundial e a Liga dos Campeões da Europa (1999). O Técnico se mostra satisfeito com o trabalho e confortável quanto a sua permanência no clube (porque será?)e diz que pretende conquistar o mun-do: "Não gosto de compromissos a curto prazo. Prefiro ver um grupo de jovens jogadores a crescer e a transformarem-se em algo de especial, situação que, acreditem, está a acontecer em Old Trafford esta temporada. Temos jogadores jovens de muita qualidade liderados por Wayne Rooney e Cristiano Ronaldo, a que se juntaram agora Carlos Tévez, Nani e Anderson."
Tudo bem que a verba dos Diabos Vermelhos bota a disposição de Alex jogadores como Cristiano Ronaldo, Rio Ferdinand, Anderson, Nani, Rooney, O’Shea, Scholes, Tevez, Giggs e por ai vai, mas ainda assim, nada tira o brilho dessa conquista adimirável.